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O pai-de-santo italiano

Pai Ronaldo é uma das figuras mais lúcidas que eu já conheci. Alto, gordo, careca, com os seus inseparáveis óculos grossos de lente amarelada sobre o nariz pontudo, de passos vagarosos e um humor inconfundível, o Pai dividia a vida entre o trabalho pesado de mecânico no setor metroferroviário e a vocação de sacerdote de cultos afro-brasileiros.  Quando o conheci, ele era um senhor de pele branquíssima e sobrenome italiano.  Há uns bons anos, nós trabalhávamos juntos, cercados de peões chucros (como é de lei nesses ambientes) numa atmosfera eletrizada de comportamento passivo-agressivo, masculinidade tóxica, piadas sexuais e conversas desrespeitosas, vazias e repetitivas envolvendo trabalho e futebol.  No entanto, as conversas que eu travava com o Pai numa pausa ou noutra eram verdadeiros respiros de inteligência no meio daquele miasma irrespirável. Ao nosso redor, vários seres sujos riam de nós e nos atacavam, sem conseguirem se afastar muito da situação de bicho.  É claro,

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